{"id":3236,"date":"2024-11-20T17:33:21","date_gmt":"2024-11-20T17:33:21","guid":{"rendered":"https:\/\/jaimeroriz.pt\/?p=3236"},"modified":"2026-05-10T12:49:13","modified_gmt":"2026-05-10T12:49:13","slug":"ivanice-e-as-40-balas-o-caso-que-nao-provocou-alarme-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/website.socialmediapartner.ovh\/en\/ivanice-e-as-40-balas-o-caso-que-nao-provocou-alarme-social\/","title":{"rendered":"Ivanice e as 40 Balas: O Caso que N\u00e3o Provocou Alarme Social"},"content":{"rendered":"<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3236\" class=\"elementor elementor-3236\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1ca80705 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"1ca80705\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-54c4d743 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"54c4d743\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<article class=\"jr-blog-article\">\n\n  <p>Em novembro de 2017, a jornalista Fernanda C\u00e2ncio trouxe ao p\u00fablico, atrav\u00e9s de um artigo contundente no Di\u00e1rio de Not\u00edcias, uma reflex\u00e3o sobre o caso de Ivanice Costa, uma brasileira de 36 anos, morta a tiro pela Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica (PSP) em Lisboa. O texto, intitulado &#8220;Ivanice e as 40 balas&#8221;, exp\u00f5e as inconsist\u00eancias, omiss\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es no relato oficial das autoridades, assim como a aparente apatia da sociedade perante um ato de viol\u00eancia letal praticado por agentes do Estado.<\/p>\n\n  <hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n  <p>Na madrugada de 15 de novembro, Ivanice seguia no carro do seu companheiro quando a viatura foi alvo de 40 disparos por parte de sete agentes da PSP, 20 dos quais atingiram o ve\u00edculo, causando a morte de Ivanice com um tiro no pesco\u00e7o. A a\u00e7\u00e3o policial foi justificada pela suposta correspond\u00eancia do carro \u00e0s caracter\u00edsticas de um ve\u00edculo envolvido num assalto na Margem Sul. Alegou-se, ainda, que o condutor desobedeceu \u00e0 ordem de paragem e tentou atropelar os agentes, o que teria motivado a rea\u00e7\u00e3o com armas de fogo.<\/p>\n\n  <p>Fernanda C\u00e2ncio destacou a rapidez com que o comunicado oficial da PSP validou a narrativa dos agentes envolvidos, justificando os disparos com base numa alegada tentativa de atropelamento. A jornalista desmonta a l\u00f3gica apresentada, lembrando que, segundo a legisla\u00e7\u00e3o portuguesa, o uso de armas de fogo s\u00f3 \u00e9 leg\u00edtimo em situa\u00e7\u00f5es de leg\u00edtima defesa quando h\u00e1 perigo iminente de morte ou les\u00e3o grave. Assim, disparar contra um ve\u00edculo em fuga, especialmente ap\u00f3s o alegado &#8220;perigo&#8221; ter passado, constitui, no m\u00ednimo, um uso excessivo da for\u00e7a.<\/p>\n\n  <p>A jornalista vai al\u00e9m da an\u00e1lise legal e toca numa quest\u00e3o profundamente moral e social: a normaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia policial, especialmente contra popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis. Ivanice era mulher, brasileira, pobre, e a sua morte pareceu gerar mais resigna\u00e7\u00e3o do que indigna\u00e7\u00e3o. Para C\u00e2ncio, \u00e9 revelador que, enquanto casos como um jantar no Pante\u00e3o Nacional provocaram enorme esc\u00e2ndalo, o homic\u00eddio de uma mulher por a\u00e7\u00e3o policial n\u00e3o despertou um &#8220;alarme social&#8221;, como reconheceu \u00e0 \u00e9poca a ministra da Justi\u00e7a.<\/p>\n\n  <p>O artigo tamb\u00e9m trouxe \u00e0 luz a recorr\u00eancia de justifica\u00e7\u00f5es baseadas em &#8220;tentativas de atropelamento&#8221; por parte de condutores em fuga, frequentemente aceites sem contesta\u00e7\u00e3o judicial. Citando decis\u00f5es de tribunais portugueses, C\u00e2ncio lembra que a desobedi\u00eancia \u00e0 ordem de paragem, por si s\u00f3, n\u00e3o legitima disparos contra um ve\u00edculo, muito menos quando o alegado perigo j\u00e1 foi ultrapassado. Contudo, a responsabiliza\u00e7\u00e3o de agentes envolvidos em mortes desse tipo continua a ser uma exce\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando a ideia de que existe uma esp\u00e9cie de licen\u00e7a para matar.<\/p>\n\n  <p>A narrativa oficial do caso de Ivanice, assim como de outros semelhantes, \u00e9 um retrato de como a justi\u00e7a, o Estado e a sociedade muitas vezes tratam vidas que n\u00e3o t\u00eam &#8220;grande peso&#8221; social. C\u00e2ncio encerra o seu texto com uma cr\u00edtica amarga \u00e0 complac\u00eancia perante a morte de uma mulher pobre, que se tornou apenas mais um n\u00famero nas estat\u00edsticas. Uma morte que, como ela bem pontuou, n\u00e3o gerou indigna\u00e7\u00e3o suficiente para questionar os abusos de autoridade.<\/p>\n\n  <p>O caso de Ivanice Costa n\u00e3o foi apenas um incidente isolado. Ele levanta quest\u00f5es fundamentais sobre o uso da for\u00e7a policial, a transpar\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es e a igualdade no tratamento da vida humana. Gra\u00e7as ao trabalho de jornalistas como Fernanda C\u00e2ncio, a mem\u00f3ria de Ivanice continua viva, servindo como um lembrete inc\u00f4modo de que a justi\u00e7a n\u00e3o pode ser seletiva e que o &#8220;alarme social&#8221; n\u00e3o deve depender de quem morre, mas das circunst\u00e2ncias que cercam a morte.<\/p>\n\n  <div class=\"jr-blog-consultation-cta\">\n    <div class=\"jr-blog-consultation-text\">\n      <span>Precisa de apoio jur\u00eddico em mat\u00e9ria penal?<\/span>\n      <p>Marque uma consulta connosco. 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